quinta-feira, 1 de março de 2012

Solidão egoísta

Há pessoas que cultivam a solidão por não terem elas mesmas capacidades para grandes amizades. Por terem deixado escorregar pela mão oportunidades, conversas e risadas. Por terem esperado muito mais, por falta de paciência, por orgulho. Por terem acreditado que se viram muito melhor sozinhas. Por não ter coragem de pedir desculpas, de argumentar. Por uma briga, uma discussão, um fato mal colocado. Por medo da verdade, por vergonha do que foi dito, por pudor. Por não saber nada de naturalidade. A naturalidade que vem de quando se gosta realmente, de quando se torce pelas conquistas alheias. Nada mais natural do que sorrir porque o outro está bem.
Há pessoas tão ligadas ao sofrimento e às suas próprias angústias, que se tornam incapazes de ver as demais tragédias – e muitas vezes tão maiores. Guerras, políticos, pedofilia, desastres, fenômenos da natureza, dentre outros assuntos que mexeriam com qualquer ser humano de boa índole não são nada para essas pessoas.
São pessoas que buscam a simplicidade de forma mais dolorida, que preferem não entender, que gostam de ferir com gestos e cinismo, com aproximações sutis. Que gostam do isolamento e não sorriem pelo dia simplesmente amanhecer. Que afastam aqueles que aprenderam a gostar um pouco delas, para nunca mais. Que conseguem, do alto de tanta inteligência e mergulho em livros, machucar os que mais amam. Que procuram a dor mesmo quando a felicidade insiste em se aproximar. Querem conquistar coisas boas, mas não se esforçam por trazê-las para perto de si. Se tem briga, elas estão lá. Se tem desentendimento, também. Desafeto e mágoa são aliados para deslanchar em textos, em frases, em pensamentos solitários antes de dormir.
Interessante como existe tanta gente a fim de disseminar o desânimo e fazer aflorar o egocentrismo. É preciso atenção para essa gente. Ninguém é completamente bom ou mau. Mas esses, são estupidamente egoístas e rancorosos, o que, em matéria de relações humanas, sejam essas de amizade ou de amor, é definitivamente pior.